Vozes migrantes femininas ganharam vez no centro da cidade de São Paulo no último final de semana.

O evento África 54- Mulheres celebrou o protagonismo e empreendedorismo das mulheres indígenas, afro-brasileiras e africanas no último domingo (17 de janeiro).

Durante todo o dia ocorreram rodas de conversa e manifestações culturais que tiveram como eixo central as experiências destas mulheres através do contexto social e cultural em que vivem.

Criador do projeto África 54, Kalengue Muena explicou que o principal objetivo do encontro foi dar visibilidade à força e às histórias delas.

“A gente sabe a força da mulher africana, a gente sabe a força da mulher imigrante a contribuir com o empreendedorismo na cidade de São Paulo. Então essa energia emanada das mulheres fez com que a gente criasse o evento esse ano, com vários temas sobre a mulher empreendedora africana. A mulher africana é uma mulher extremamente forte e que está empreender e as pessoas tem que conhecer essas histórias para que a gente passe a transmitir outra mensagem para a população”, explicou.

Muito além dos brincos

Participante do evento, a empreendedora Louise Edimo contou que o empreendedorismo para ela é mais uma forma de transmitir um pouco da África para o mundo.

“Eu faço acessórios de moda no momento, mas para mim não é o objetivo ganhar tanto ou vender tanto. Eu passei 71 anos da minha existência a compartilhar com os outros sobre o meu continente, sempre escrevi como jornalista sobre culturas da África e os acessórios que eu vendo são a minha identidade, as minhas raízes que eu passo também com este trabalho. Uma pessoa vai primeiro gostar do brinco, para depois gostar da África”, disse a empreendedora que é também conselheira dos imigrantes na prefeitura regional da Sé

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Durante o encontro, todas as mulheres presentes puderam, juntas, conversar sobre o “sagrado feminino” que é o poder da natureza da mulher sobre todas as questões de suas vidas. Contaram sobre suas mais variadas experiências em relação, por exemplo, ao machismo, , educação, culturas, saúde e racismo que sofrem, cada uma em seu modo de vida.

Para Wanessa Sabbath, produtora cultural que ajudou na condução das conversas, o ponto crucial de encontros como esse é que as pessoas não se ouvem no dia a dia, e ali se sentem livres para expressar suas questões.

“ A partir do momento que eu conheço mulheres que eu nunca tinha visto antes, eu estou reconhecendo o sagrado de cada uma e começo a ter outro relacionamento com as pessoas. A partir do momento que a gente se ouve a gente começa a evoluir e criar ações. Independente de quem somos, da etnia, a gente pode caminhar juntas. Cada uma aqui tem seu movimento pessoal do sagrado. Quando a gente se encontra a gente disponibiliza 1% do que somos, mas nos encontrando muitas vezes, a gente vai percebendo que a gente precisa disso. O estar separado é o capitalismo, o estar junto é compartilhar”, refletiu.

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