O Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM) deriva do Fórum Social Mundial, pensado como um processo em construção permanente, horizontal e descentralizado, assumindo como princípios organizadores a autonomia, a autogestão e a autossuficiência. É um espaço de encontro da unidade na diversidade, de reconhecimento entre pessoas, coletivos e movimentos, para visibilizar, fortalecer e articular distintos grupos e lutas antissistêmicas, vinculadas em seu ser e sentir migratório.

O Fórum Social Mundial das Migrações busca a construção de uma nova visão de migração, desencadear uma mudança e fomentar a inclusão, o respeito, a igualdade, o reconhecimento e a valorização das diferenças. Buscamos construir um processo social a favor da defesa dos direitos das pessoas migrantes e seus familiares que os incorpore na discussão de suas necessidades e expectativas e soluções, fortaleça os diálogos entre as redes sociais e as pessoas migrantes, e seja capaz de influenciar nas decisões em políticas públicas para fazer política de outra forma, não a partir do poder, mas da resistência, a partir das próprias pessoas e sua visão de como enfrentar a realidade que vivem e que as faz migrar.

A partir deste espaço chamado FSMM, fazemos uma ampla convocatória que tem como princípio orientador a migração, mas entendendo seu impacto e alcances em outros âmbitos sociais.

Desde o início dos tempos, tornamos a mobilidade uma possibilidade de ser protagonistas de nossos destinos, a fim de alcançar maiores graus de segurança e solidariedade individual e coletiva. A migração sempre foi e seguirá sendo consubstancial às realidades internacionais, à humanidade e ao ser humano. Se ontem nos deslocávamos por necessidade em busca de esperança, hoje se somam fortemente a isso as desigualdades, as crises ambientais, o produtivismo desenvolvimentista, o trabalho e os novos conflitos globalizados.

Hoje, uma a cada sete pessoas no planeta – por volta de 1000 milhões – é migrante e experimenta as múltiplas formas de mobilidade humana de maneira direta ou indireta, natural ou forçada, consciente ou inconsciente, temporária, pontual, definitiva ou contínua. 750 milhões de migrantes internos, 250 milhões de migrantes transnacionais, 65 milhões de pessoas deslocadas forçadas e refugiadas, a maior cifra desde as grandes guerras mundiais.

Na maioria dos casos somos trabalhadorxs submetidxs a condições de alta vulnerabilidade e exploração extrema, discriminação constante e exclusão social múltipla. E ainda assim fomos e somos vetores de riqueza, de novas cidadanias, de enriquecimento cultural e primeira linha em várias lutas sociais.

Hoje em dia somos testemunhas diretas de que os muros, as identidades nacionalistas exacerbadas, a erosão do direito à mobilidade, os conceitos de governança, “migração regular, ordenada e segura” e a negação migratória, sinais característicos de um mundo preso em um círculo perverso de seu passado, nos cercam, nos separam ou nos matam.

Rejeitamos essa perspectiva destrutiva que, assim como outros temas da agenda internacional, não contempla a raiz sistêmica e complexa dos problemas. De algum modo, nossos movimentos são diretamente um medidor proporcional ao grau de instabilidade do tabuleiro internacional. Nossa luta migrante se situa claramente nessa encruzilhada. No fundo, trata-se de uma luta para disputar uma sociedade e uma matriz de mundialização positiva, legítima, democrática, não excludente, por uma visão integradora dos povos e a diversidade do mundo em que caibam todos os mundos. É, de fato, uma luta solidária e transversal a outras lutas éticas, econômicas, políticas, ambientais, civilizatórias, tanto local quanto global.

O ano de 2018 será sem dúvidas emblemático da mobilidade humana no acontecer mundial. Em novembro deste ano nossos caminhos se cruzarão no México: para conhecer-nos, dialogar, compartilhar e entrar em acordo. Para reconhecer nossa fraternidade em nossas diferenças; para lutar, resistir e nos rebelar contínua e coletivamente contra a hidra do capitalismo, o racismo, o racismo, o colonialismo e o patriarcado.

Convocamos todas as pessoas a participar, sejam migrantes ou não, que se sintam refletidas nos princípios do Fórum Social Mundial e do Fórum Social Mundial das Migrações e que estejam dispostos a lutar para construir outro mundo possível, sem fronteiras e onde a mobilidade humana seja uma opção livre e voluntária. Convidamos  você, todas e todos, a conhecer, difundir e participar. Porque tudo e todx(s) somos migração.

Frente a um Pacto Global convocado pela Organização das Nações Unidas, a sociedade civil fez-se escutar. Em todos os comunicados resultantes de distintas reuniões que dão seguimento a esse processo, coincidiu-se na necessidade de superar a perspectiva hegemônica de política migratória que propõe uma gestão das migrações “regular, ordenada e segura”, por uma visão humanista que permita “acolher, proteger, promover e integrar” as pessoas migrantes, reafirmando a mobilidade humana como um direito arraigado na igualdade essencial do ser humano.

Devido ao exposto, a Secretaria Técnica do 8º FSMM México 2018 convoca na cidade do México, nos dias 2, 3 e 4 de novembro de 2018 (Dia tradicional dos Mortos) para que se encontrem migrantes, defensores, representantes, acadêmicos e ativistas das organizações e movimentos de resistência no mundo inteiro, a fim de realizar reuniões presenciais e/ou virtuais, para organizar ações globais que serão levadas a cabo em suas regiões/países, tudo isso dentro de um “Compromisso Migrante Global”, para dar início, no contexto da mobilidade ativa e combativa, a uma Jornada(s) Mundial de Resistência pela Mobilidade Global.

Os diálogos e encontros durante o Fórum Social Mundial das Migrações 2018 terão como base os seguintes eixos temáticos:

  • Direitos Humanos, inclusão social, hospitalidade e mobilidade.
  • Realidades das fronteiras, muros e outras barreiras.
  • Resistências, atores, movimentos e ações colectivas.
  • A crise sistêmica do capitalismo e suas consequências para a migração.
  • Migração, gênero e corpo.
  • Migração, direitos da Mãe Natureza, mudanças climáticas e disputas Norte – Sul.

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